Sobre o blog

O Movimento Anti-Religião (MAR) iniciou suas atividades no dia 30 de julho de 2008, no Blogger, do Google (visite o antigo blog), com o ideal de desmascarar as religiões, demonstrar a fraqueza e inutilidade da fé, e defender o direito de ser ateu. Por meio de vídeo, artigos e tirinhas, o MAR trouxe a público algumas idéias já divulgadas por outros sites e blogs, sobre ateísmo, religião, moralidade, humanismo, entre outros temas variados.

Aqui, agora com o WordPress, a intenção é a mesma, mas dessa vez o MAR vai expandir sua “área de atuação”. O blog passará a ter incluído em suas postagens, textos nem sempre ligados à religião, mas sobre a Filosofia, sobre a Ciência, sobre a tão discutida (e pouco compreendida) Teoria da Evolução de Charles Darwin, sobre Ceticismo – esta, na minha opinião, a posição mais sensata e mais importante, talvez a mais necessária.

Algumas pessoas pensam que Religião é espiritualidade, é fé, é crença, mas pensam assim porque não refletiram sobre o contexto em que a Religião está inserido, sobre o papel que ela desempenha. A Religião é uma instituição, mais política do que espiritual. Esta instituição constrói sua mitologia por meio de uma fé amplamente professada, organizando-a por meio de dogmas e da “institucionalização da fé”. Para fazer parte do grupo, da religião, não basta que você aceite essa ou aquela crença, mas todo o “pacote” oferecido pela religião, de modo que sua liberdade de crença é limitada. Mas não é à toa que a coisa funciona dessa maneira: o ideal da religião é justamente conter a liberdade e manipular seus fiéis. Como já disse José Saramago, em entrevista à Folha de S. Paulo, a Igreja (tomo-a apenas como um exemplo) não se preocupa com as almas de seus fiéis, mas com o corpo: o corpo com seus apetites, o corpo suas necessidades, o corpo com suas liberdades. A religião instiga o fanatismo, a doutrinação, a imposição de idéias, a intolerância, o preconceito, e a fé, em detrimento da razão, da tolerância, do diálogo aberto, da pensamento reflexivo, do debate respeitoso de idéias divergentes, da dialética, do ceticismo, do conhecimento, da Ciência.

Muitos crêem necessitar da fé para levar suas vidas, que sem fé não somos nada, não podemos suportar a vida. Isso não é verdade, e passa muito longe de sê-lo. A Fé (não o simples acreditar) é uma profunda convicção de que algo seja verdade, dispensando a necessidade de um exame racional reflexivo e/ou de evidências concretas. Alimentar a necessidade de tal convicção, é alimentar o fanatismo, e tornar o portador de tal convicção um alvo fácil de charlatães, aproveitadores, pessoas que ganham dinheiro às custas da fé alheia. Exemplos disso nos cercam todos dias: cartomantes, astrólogos, médicos homeopatas, advinhos, mágicos (não os profissionais sérios, mas os que alegam terem poderes paranormais). Quantos de nós já não nos deparamos com cartões convidando-nos a conhecer algum curandeiro, alguém que alega ter curado pessoas de doenças sem cura, ou ser capaz de afastar o “mal olhado”. Eles não têm tal capacidade, mas se aproveitam da inocência daqueles que crêem verdadeiramente. O grande problema está na falta de ceticismo, na fala de critérios para avaliar nossas crenças e decidir no que iremos acreditar e no que não iremos. Enquanto não alimentarmos nosso ceticismo, seremos para sempre guiados por aproveitadores, por charlatães, por chacais que aguardam os restos mortais de mentes desesperançadas.

O MAR vai defender até o último dia, o direito ao ceticismo, ao ateísmo; o direito de dizer NÃO às religiões, NÃO à fé, NÃO à crendice infantil e desesperada, NÃO às esperanças vazias e frágeis, NÃO às “verdades” impostas cujas evidências nunca foram apontadas. Seja um cético, seja um livre-pensador, seja um ateu! Isso não te fará nenhum mal, e ainda lhe trará muitos benefícios, além da “paz de espírito” por se livrar do peso de acreditar estar sendo vigiado por Deus, ou por entes queridos que te olhem do céu. Pense nisso.

 

Gustavo Sales Barbosa
Ribeirão Preto, SP
23 de janeiro de 2010

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  • Livros relacionados com o tema

    Bertrand Russell - “Porque não sou cristão”
    Christopher Hitchens - “Deus não é grande”
    Daniel Dennett - “Quebrando o encanto”
    Júlio José Chiavenato - “Religião: da origem à ideologia”
    Michel Onfray - “Tratado de ateologia: física da metafísica”
    Richard Dawkins - “Deus, um delírio”
    Sam Harris - “Carta a uma nação cristã”

  • Albert Einstein

    “Não posso imaginar um Deus a recompensar e a castigar o objeto de sua criação. Não posso fazer idéia de um ser que sobreviva à morte de seu corpo. Se semelhantes idéias germinam em um espírito, para mim ele é um fraco, medroso e estupidamente egoísta.”
  • Dan Baker

    “Sou ateu porque não há evidência para a existência de Deus. Isso deve ser tudo que se precisa dizer sobre isso: sem evidência, sem crença.”
  • Joan Robinson

    “Poucas pessoas se dão ao trabalho de estudar a origem de suas próprias convicções. Gostamos de continuar a crer no que nos acostumamos a aceitar como verdade. Por isso, a maior parte de nosso raciocínio consiste em descobrir argumentos, para continuarmos a crer no que cremos.”
  • Isaac Asimov

    “Se o conhecimento pode criar problemas, não é através da ignorância que podemos solucioná-los.”
  • Bertrand Russell

    “O fato de uma crença exercer bom efeito moral sobre um homem não constitui prova alguma a favor de sua verdade.”
  • Ashley Montagu

    “A ciência tem provas sem certeza. Os teólogos têm certeza sem qualquer prova.”
  • Ludwig Feuerbach

    “Sempre que a moralidade baseia-se na teologia, sempre que o correto torna-se dependente da autoridade divina, as coisas mais imorais, injustas e infames podem ser justificadas e estabelecidas.”
  • Karl Marx

    “A religião é o suspiro da criatura aflita, o estado de ânimo de um mundo sem coração, porque é o espírito da situação sem espírito. A religião é o ópio do povo.”
  • Friedrich Nietzsche

    “O homem procura um princípio em nome do qual possa desprezar o homem. Inventa outro mundo para poder caluniar e sujar este; de facto só capta o nada e faz desse nada um Deus, uma verdade, chamados a julgar e condenar esta existência.”