A criação do mito de Jesus

A criação do mito de Jesus

 

Autor: Fernando Silva
Fonte: A CRIAÇÃO DO MITO DE JESUS

 

Os evangelhos não se pretendiam uma narrativa história mas um “midrash” (uma composição de trechos das Escrituras que, do ponto de vista do autor, estão relacionados e confirmam a mensagem que ele quer transmitir). Ou parábolas com o enxerto de referências históricas. A intenção dos evangelistas não era registrar com precisão os fatos mas transmitir ensinamentos religiosos.

Paulo foi um dos principais criadores da figura de Jesus. Ao cair do cavalo na estrada para Damasco, vítima de insolação ou epilepsia, julgou estar divinamente inspirado. Analisou as Escrituras em busca de revelações ocultas e, acreditando que toda e qualquer idéia que lhe ocorria também era inspiração de Deus, pareceu-lhe ter nelas encontrado o anúncio da vinda de Jesus.

O mundo de Paulo ainda era fortemente influenciado pela civilização grega, sua cultura e seus deuses. Para os gregos e seus vizinhos, a verdadeira realidade era a realidade mítica, onde viviam deuses e anjos. O mundo material era apenas um reflexo dela, as sombras na caverna de Platão. As Escrituras não continham profecias, mas revelavam um pouco desta verdadeira realidade.

O sofrimento e morte de Jesus eram fatos já ocorridos nessa realidade espiritual, num tempo diferente do nosso, assim como as aventuras dos deuses gregos, não algo que ainda ocorreria no mundo material (NOTA 1). Era desta “realidade” que falava Paulo, não de um Jesus de Nazaré, de carne e osso. E seus “fatos” vinham das Escrituras e das revelações de um Jesus espiritual. Na verdade, era Deus que fazia as revelações. Jesus era apenas seu canal de comunicações, o “Logos” grego, a “Sabedoria” judaica. Paulo descobriu “sobre” Jesus nas Escrituras e inspirações divinas, não “da boca de” Jesus. Jesus era o “segredo que esteve escondido durante eras” e que foi revelado por Deus.

Era necessário ter fé nesse Jesus mítico, espiritual, como Paulo por tantas vezes insiste.

Mas por que seria necessário ter fé em que um homem existiu neste mundo, morreu e ressuscitou? Isto seria um fato histórico, não algo só acessível através da fé. Foi só mais tarde que se criou o conceito de um Jesus feito homem. Sua biografia foi tirada das Escrituras. As narrativas do A.T., que foram sua origem e contavam uma história já ocorrida, tornaram-se aos poucos profecias a respeito de sua futura vinda.

Mesmo em livros escritos por volta do ano 120 d.C. ainda se mencionam passagens do A.T. como fonte, não os evangelhos (que já deveriam ter sido escritos e ser muito famosos e conhecidos, se tivesse havido um Jesus e seus discípulos estivessem ativamente difundindo seus ensinamentos).

Mas ninguém fala “conforme eu ouvi da boca de Jesus”, “conforme ensinou Fulano, que foi discípulo de Jesus”. Paulo só vai a Jerusalém anos depois de cair do cavalo e nem menciona os lugares santos ou sua emoção em visitá-los. Vai lá apenas para se encontrar com Pedro. E ninguém menciona Pilatos e o julgamento de Jesus.

Paulo era o mestre, não Jesus. Em todas as suas disputas com os outros discípulos, ele jamais foi acusado de distorcer as palavras de Jesus. Não havia “palavras de Jesus”. Os evangelhos e sua vida terrena ainda não tinham sido inventados.

É possível que versões primitivas dos evangelhos já existissem no final do primeiro século, mas não faziam parte da corrente paulinista, predominante. Só durante o segundo século começaram a ser mencionados e se incorporaram ao conjunto de crendices contraditórias que cercava a figura de Cristo, defendidas por centenas, talvez milhares de seitas que brigavam entre si.

 

Os evangelhos são uma montagem de elementos de várias fontes:

Muitos dos ensinamentos atribuídos a Jesus foram encontrados nos manuscritos do Mar Morto, escritos pelos essênios pelo menos 100 anos antes de Cristo. Eles eram conhecidos pelo seu desprezo às coisas materiais, faziam-se batizar para a purificação do corpo e do espírito e iniciavam a vida pública aos 30 anos, após 40 dias de jejum no deserto. Esperavam para breve a vinda do reino de Deus.

Frases como “amar seus inimigos”, “se lhe pedem o casaco dá também a camisa” e “dar a outra face” derivam dos estóicos/cínicos, um movimento filosófico de origem grega que pregava o retorno a uma vida mais simples e humilde, em oposição ao materialismo da sociedade urbana.

Muitos outros foram tirados do “Documento Q”, uma coleção de ditos resultantes da mistura da filosofia estóica/cínica, com o messianismo judeu. Quando os evangelistas inventaram uma vida terrena para Jesus, cada um localizou os ditos em contextos diferentes. Exemplos:

– A história do salvador nascido de uma virgem e tentativas de matá-lo quando criança;
– Sua morte e ressurreição (em vários casos, no terceiro dia);
– Céu, inferno e juízo final (que não existiam no judaísmo original);
– Petra, no mitraísmo e no “Livro dos Mortos” egípcio, era o guardião das chaves do céu. O mitraísmo também denominava Petra a um rochedo considerado sagrado;
– Hórus lutou durante 40 dias no deserto contra as tentações de Satã;
– Hórus, a luz do mundo; o caminho, a verdade e a vida;
– Hórus batizado com água por Anup;
– Hórus representado por uma cruz;
– A trindade Atom (o pai), Hórus (o filho) e Ra (o espírito santo);
– Hórus e Mitra tinham 12 discípulos;
– Apolônio, Mitra e Hermes eram conhecidos como “bom pastor” e eram representados com um cordeiro nos braços;
– A última ceia, freqüentemente com uma bebida e um alimento que representavam o corpo e o sangue de algum deus;
– A estrela guia, elemento freqüente em lendas e mitologias antigas;
– Tamuz, deus da Suméria e Fenícia, foi gerado por uma virgem, morreu com uma chaga no flanco e, três dias depois, levantou-se do túmulo e o deixou vazio com a pedra que o fechava a um lado. Belém era o centro do culto a Tamuz.

 

Falsas profecias:

Uma comparação cuidadosa revela que vários outros trechos foram aproveitados fora de contexto ou tomados como profecia, quando na verdade se referiam a outras coisas. Exemplos:

– Lucas 01:28-33, onde o nascimento de Jesus é anunciado a Maria, uma cópia quase exata de Sofonias 03:14-18, onde se profetiza o triunfo de Israel sobre as nações que a oprimiram;
– Mateus 02:05-06 e João 07:42, onde se diz que o nascimento de Jesus em Belém fora profetizado. Entretanto, o trecho que fala de Belém (Miquéias 05:02), se refere ao clã de David, Belém Éfrata, e não a uma cidade. Além disto, mesmo que fosse uma cidade, o tal Messias profetizado viria para espalhar o terror e a morte entre os inimigos de Israel e torná-la poderosa, enquanto que Jesus afirmou que “meu reino não é deste mundo”;
– Mateus 01:22 cita Isaías 07:14 sobre o nascimento do messias de uma virgem, quando Isaías falava de uma criança de seu tempo, 700 anos antes de Cristo, não de uma virgem mas de uma jovem, não de Jesus mas de Emanuel;
– Mateus 21:01-07 (e os outros evangelistas) dizem que a entrada de Jesus em Jerusalém montado num jumento fora prevista em Zacarias 09:09 mas, mais uma vez, o rei de que fala Zacarias era um rei humano, que reinaria sobre Israel, não Jesus. As aclamações do povo foram tiradas do Salmo 117:26 (“Bendito o que vem em nome do Senhor”);
– Mateus 26:15 e 27:03-10 fala da traição de Judas e das 30 moedas como tendo sido profetizada em Salmos 41:09 e Zacarias 11:12-13. Entretanto, nenhuma das passagens fala do messias. Nos salmos, é David, o autor, que se diz traído e se considera um pecador.

E Zacarias diz ter recebido as 30 moedas por um serviço prestado, sem nenhuma traição envolvida (e ele também devolve as moedas). Mateus diz que a compra do campo do oleiro com as 30 moedas fora profetizada por Jeremias, mas tal profecia não existe.

– João 02:14-16 (e os outros evangelistas) falam sobre como Jesus expulsou os vendilhões do Templo. Considerando-se o tamanho do pátio do Templo e o fato de que o comércio de animais era essencial à realização dos sacrifícios pelos fiéis, não tinha nada de ilegal e tinha o apoio das autoridades religiosas, parece improvável que um único homem com um chicote conseguisse expulsar a todos, ainda por cima impunemente. Esta passagem parece ter sido inspirada em Zacarias 14:21 (“Naquele dia não tornará mais a haver mercador na casa do Senhor dos Exércitos”) e Jeremias 07:11 (“Esta minha casa está convertida em um covil de ladrões”);
– Os Salmos 22:02-19 e 69:22 foram usado na crucificação, embora nele David falasse de seus inimigos e da perseguição que sofria do rei Saul: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? […] Todos os que me vêem zombam de mim, abrem a boca e balançam a cabeça: “Ele recorreu a Javé … pois que Javé o salve! Que o liberte, se é que o ama de fato!” […] Cães numerosos me rodeiam, e um bando de malfeitores me envolve, furando minhas mãos e meus pés. Posso contar todos os meus ossos. As pessoas me observam e me encaram, entre si repartem minhas vestes, e sorteiam a minha túnica”. “Como alimento me deram fel, e na minha sede me deram vinagre”

De qualquer modo, não se podem levar a sério profecias que se dizem realizadas no mesmo livro em que foram feitas. É preciso que a comprovação seja externa ao livro. E isto não acontece. Um exemplo perfeito de profecia fracassada está em Ezequiel 26 e 29 (NOTA 2). E pode-se suspeitar de que várias “profecias” foram feitas depois do fato ocorrido.

Profecias e histórias sobre o justo que sofreu, foi injustamente acusado, perseguido e morto (ou foi salvo da morte no último instante), sendo então reabilitado e exaltado, são comuns ao longo da Bíblia. Refletem provavelmente os sonhos de grandeza dos judeus, povo freqüentemente perseguido e escravizado, e suas esperanças de que seu deus os ajude a triunfar sobre povos que os oprimiam.

Além disto, mesmo que Jesus tivesse existido, ele certamente seguiria as Escrituras como um roteiro para provar que era o Messias. Por exemplo, entraria em Jerusalém montado num jumento como fez o rei humilde em Zacarias 09:09. Note-se que os evangelhos dizem claramente “e ele o fez para que se cumprissem as Escrituras”.

 

Cronologia resumida do surgimento dos evangelhos:

Há uma epístola apócrifa, denominada 1 Clemente, enviada de Roma aos Coríntios no ano de 96 d.C., onde pela primeira vez Jesus é mencionado como mestre e ensinamentos lhe são atribuídos. Várias passagens lembram o Sermão da Montanha mas há outras que também lembram os evangelhos mas não são atribuídas a ninguém ou então citam o Antigo Testamento. Ainda não há menções a uma vida terrena nem sobre milagres ou João Batista. Mesmo quando fala do julgamento e morte de Cristo, Clemente cita Isaías. Seu Jesus parece ser algo que ele construiu a partir das Escrituras.

Por volta do ano 107 d.C., nas 7 cartas escritas por Inácio, surgem as primeiras menções a Herodes, Pôncio Pilatos e Maria. Há até um trecho sobre a aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos, mas ainda nada se diz dos evangelhos ou que Jesus tivesse sido um mestre.

Na época de Inácio foi escrita a Didaké (ou Didache), onde nada se fala dos ensinamentos de Jesus e a oração do Pai Nosso é atribuída diretamente a Deus. Nada de última ceia, morte e ressurreição. Deus é o mestre e Jesus aparece apenas como filho de Deus e seu servo, cuja função é servir de canal de comunicação entre Deus e os homens.

O nascimento de um Jesus terreno aparece pela primeira vez no texto “Ascensão de Isaías”, que data de 115 d.C. Mas a história é diferente. Jesus nasce na casa de Maria e José em Belém, não numa mangedoura durante uma viagem, e Maria só mais tarde descobre que seu filho era especial. Nada sobre pastores, magos, Herodes e fuga para o Egito. Os evangelistas se basearam nesta história mas cada um a modificou à sua maneira, mantendo em comum apenas a referência a Belém, provavelmente por causa da profecia de Malaquias sobre o nascimento lá de um futuro rei de Israel. A fuga para o Egito, por exemplo, só existe num dos evangelhos. Em outro, Jesus volta diretamente para casa e é apresentado no templo (NOTA 3).

A primeira referência a Pilatos numa epístola surge em 1 Timóteo 6:13, que deve ter sido escrita por volta de 115 d.C., mas ela é tão omissa quanto ao resto que acredita-se que esta seja uma inclusão posterior. 1 Tessalonicenses afirma que os judeus mataram Jesus mas há um consenso entre os estudiosos da Bíblia sobre esta ser uma inclusão posterior também.

2 Pedro, escrita por volta de 120 d.C., fala na vinda futura de Jesus (não o seu retorno) e seu autor cita profecias do AT, não uma promessa feita por Jesus. No fim do capítulo 1, esta epístola menciona algo que lembra a transfiguração de Jesus dos evangelhos mas o fato é apresentado como uma amostra do que seria a vinda futura de Jesus e de seu poder. E a fonte, mais uma vez, são as Escrituras, não um Jesus terreno.

Barnabás (120 d.C.) é mais uma coleção de tradições orais e lendas, sem menção aos evangelhos ou Jesus de carne e osso, embora algumas passagens lembrem seus ensinamentos e haja vagas referências a acontecimentos históricos. Quando fala da paixão de Cristo, se baseia nas Escrituras.

Uma carta de Policarpo, bispo de Esmirna (130 d.C.) já está bem próxima dos evangelhos em vários trechos mais ainda faz referência aos documentos acima, não aos evangelistas.

Há escritos de Papias da época de Policarpo que se perderam mas são mencionados por Eusébio e estes começam a fazer referência aos evangelhos. Segundo Eusébio, Papias disse que um certo João disse que Marcos tinha sido o intérprete de Pedro e registrou o que Pedro ainda se lembrava dos ensinamentos do Senhor, aos pedaços e sem ordem. Ou seja, ainda não era um evangelho narrativo.

Por volta de 140 d.C, o gnóstico Marcião usou trechos de uma versão prévia do que viria a ser o evangelho de Lucas. Sabemos disto porque Tertuliano condenou sua interpretação do texto anos mais tarde. A versão que Marcião usou era diferente da atual, o que mostra que os evangelhos passaram por várias revisões. E isto ocorreu provavelmente porque na época os evangelhos não passavam de textos soltos de vários autores e ninguém os considerava sagrados nem inalteráveis, apenas considerações pessoais sobre Jesus e seus ensinamentos.

Na verdade, este processo de revisão pode ser visto ao longo dos 30 anos que separam Marcos de João. Cada um é uma adaptação do anterior à realidade de sua época. Um exemplo é o progressivo envolvimento dos judeus na condenação de Jesus e a “desculpabilização” dos romanos.

Os evangelhos, aliás, nem tinham nomes. Justino, o Mártir, por volta de 150 d.C. ainda os chama apenas de “Memórias dos Apóstolos” e o que ele cita são apenas ensinamentos soltos. Tais trechos divergem dos evangelhos atuais e não há nada do evangelho de João.

A primeira menção que já foi encontrada aos 4 evangelistas é a de Ireneu, bispo de Lyons, por volta de 180 d.C., onde ele comenta que deveria haver 4 evangelhos porque havia 4 ventos e 4 cantos da Terra.

Finalmente, acredita-se que os Atos tenham sido escritos pela igreja de Roma em meados do segundo século para criar uma imagem mais favorável de Paulo, que na época era apontado pelos gnósticos como seu líder (por se basear apenas nas revelações recebidas diretamente de Deus e não através da Igreja, ou seja, do Jesus terreno e dos apóstolos). As epístolas, pelo contrário, mostram Paulo rejeitando a versão de Tiago e os outros, embora eles tivessem convivido com Jesus.

 

Notas:

(1) Os gregos (e também os europeus até os tempos de Copérnico e Galileu) acreditavam que a Terra era o centro do universo. Em volta dela havia esferas de cristal concêntricas, cada uma sustentando um dos 7 planetas conhecidos. Na esfera mais interior, a da Lua, ficavam os demônios, mensageiros entre os homens e os deuses, e além da sétima esfera ficavam os deuses. Para Paulo e seus correligionários, em vez dos deuses havia um único deus e os demônios eram forças do mal (em Efésios 06:12 eles estão nas regiões celestes; só mais tarde foram relegados às profundezas da terra; são eles os dominadores do mundo, não os humanos). Segundo apócrifos do fim do primeiro século, como a “Ascensão de Isaías”, Jesus teria partido numa jornada através das esferas até chegar à mais interior, nascendo de uma mulher (assim como Attis nascera de Cibele e depois se sacrificara). Os demônios, sem perceber quem ele era, o teriam morto. No final do século I, nenhuma menção a um Jesus terreno. Nada de perdão dos pecados, nada de ensinamentos. Pilatos não o julgou, não houve Calvário. A missão desse Jesus, que tinha aparência humana mas não era de carne e osso, era derrotar o anjo da morte e resgatar os justos. I Coríntios 02:08 fala novamente dos dominadores do mundo, não de Pilatos, por exemplo. Orígenes e Marcião também interpretam Paulo desta forma. Jesus desce então aos infernos (o Sheol) e ressuscita três dias depois. Retorna aos céus levando com ele as almas dos justos e, a partir desse dia, os justos que morressem iriam também para o céu. Este era o segredo escondido, no qual era preciso acreditar para se escapar do inferno. Jesus era o cordeiro imolado desde o início dos tempos (e não no ano 33).

(2) Ezequiel 26 diz que Yaveh deu a cidade de Tiro a Nabucodonosor para saquear e destruir. A cidade seria coberta pelo mar e nunca mais voltaria a existir. A história nos diz que Tiro foi sitiada por Nabucodonosor mas que este não conseguiu tomá-la. A cidade foi destruída séculos mais tarde por Alexandre o Grande mas recuperou-se e é hoje uma cidade moderna. E o mar não a cobriu. Ezequiel 29 diz que, como compensação pelo fracasso em Tiro, Yaveh lhe daria Egito e os países vizinhos, também para saquear e destruir. O Egito seria devastado para sempre e seus habitantes se dispersariam pelo mundo. Nada disto aconteceu.

(3) A estrela guia é um elemento comum nas histórias de heróis antigos e também há uma matança de inocentes na lenda de Moisés. Herodes matou vários de seus próprios parentes com medo que lhe tomassem o poder, o que pode ter inspirado os evangelistas, mas não há registro histórico de matança indiscriminada de crianças.

 

Fontes:

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3 Comentários

  1. Esclarecedor, esse texto merece divulgação ampla.
    Parabéns!

  2. Amigo, falta várias fontes neste texto. Onde Sêneca, Platão, Pitágora, Filón, disseram isto? Será que isto é realmente verdadeiro? Ou será mesmo o Cristo que não existiu?? E mesmo se falaram mesmo isso (que acho que falaram!, para mim não muda…

    O texto não cita nenhum (nenhum!) indicío de que Cristo existiu. Nem mesmo refuta indícios que falam isso. Estranho, não é? Vou fazer essa parte, por sinal, com mais referências e confiabilidade do que o texto que você apresenta.

    Documentos de escritores romanos (110-120):

    1. Tácito (Publius Cornelius Tacitus, 55-120), historiador romano, escritor, orador, cônsul romano (ano 97) e procônsul da Ásia romana (110-113), falando do incêndio de Roma que aconteceu no ano 64, apresenta uma notícia exata sobre Jesus, embora curta:

    “Um boato acabrunhador atribuía a Nero a ordem de pôr fogo na cidade. Então, para cortar o mal pela raiz, Nero imaginou culpados e entregou às torturas mais horríveis esses homens detestados pelas suas façanhas, que o povo apelidava de cristãos. Este nome vêm-lhes de Cristo, que, sob o reinado de Tibério, foi condenado ao suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. Esta seita perniciosa, reprimida a princípio, expandiu-se de novo, não somente na Judéia, onde tinha a sua origem, mas na própria cidade de Roma” (Anais, XV, 44).

    2. Plínio o Jovem (Caius Plinius Cecilius Secundus, 61-114), sobrinho de Plínio, o Velho, foi governador romano da Bitínia (Asia Menor), escreveu ao imperador romano Trajano, em 112:

    “…os cristãos estavam habituados a se reunir em dia determinado, antes do nascer do sol, e cantar um cântico a Cristo, que eles tinham como Deus”. (Epístolas, I.X 96)

    3. Suetônio (Caius Suetonius Tranquillus, 69-126), historiador romano, no ano 120, referindo-se ao reinado do imperador romano Cláudio (41-54), afirma que este “expulsou de Roma os judeus, que, sob o impulso de Chrestós (forma grega equivalente a Christós, Cristo), se haviam tornado causa frequente de tumultos” (Vita Claudii, XXV).Esta informação coincide com o relato dos Atos dos Apóstolos 18,2, onde se lê: “Cláudio decretou que todos os judeus saíssem de Roma”; esta expulsão ocorreu por volta do ano 49/50. Suetônio, mal informado, julgava que Cristo estivesse em Roma, provocando as desordens.

    Documentos Judaicos:

    1. O Talmud (Coletânea de leis e comentários históricos dos rabinos judeus posteriores a Jesus) apresentam passagens referentes a Jesus. Note que os judeus combatiam a crença em Jesus, daí as palavras adversas a Cristo. Tratado Sanhedrin 43a do Talmud da Babilônia:“Na véspera da Páscoa suspenderam a uma haste Jesus de Nazaré. Durante quarenta dias um arauto, à frente dele, clamava: “Merece ser lapidado, porque exerceu a magia, seduziu Israel e o levou à rebelião. Quem tiver algo para o justificar venha proferí-lo!” Nada, porém se encontrou que o justificasse; então suspenderam-no à haste na véspera da Páscoa.”

    2. Flávio Josefo, historiador judeu (37-100), fariseu, escreveu palavras impressionantes sobre Jesus:“Por essa época apareceu Jesus, homem sábio, se é que há lugar para o chamarmos homem. Porque Ele realizou coisas maravilhosas, foi o mestre daqueles que recebem com júbilo a verdade, e arrastou muitos judeus e gregos. Ele era o Cristo. Por denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-o ao suplício da Cruz, mas os seus fiéis não renunciaram ao amor por Ele, porque ao terceiro dia ele lhes apareceu ressuscitado, como o anunciaram os divinos profetas juntamente com mil outros prodígios a seu respeito. Ainda hoje subsiste o grupo que, por sua causa, recebeu o nome de cristãos” (Antiguidades Judaicas, XVIII, 63a).

    Abraços!

  3. “Muitos outros foram tirados do “Documento Q”, uma coleção de ditos resultantes da mistura da filosofia estóica/cínica, com o messianismo judeu”.

    Nunca existiu este tal documento “Q”. Na verdade, “Q” é um documento hipotético, supostamente composto com frases de Cristo que, segundo os adeptos dessa teoria (que na verdade é apenas uma hipótese), este documento “Q” foi a fonte para a formação dos Evangelhos sinóticos (Marcos, Lucas e Mateus).
    Foram alguns estudiosos alemães que iniciaram as pesquisas desenvolvendo isto que eles chamaram de “Documento quelle” (fonte), que foi abreviado para Q.
    Portanto, o documento “Q” é apenas uma hipótese.
    Sobre a idéia de que os cristãos copiaram dos estóicos, ou, de alguma forma foram influenciado pelos estóicos, de fato, existe esta “hipótese” mesmo. Inclusive, um teólogo Cristão, Paul Tillich, tido como um teólogo liberal para alguns cristãos conservadores, faz esta mesma observação em seu livro ” Panorama do Pensamento Cristão”.
    Grosso modo, os estóicos usavam a idéia de “Logos Universal” . Esse conceito estóico explicava que o “Logos” era o poder divino presente na realidade toda. Para os estóicos havia pelo menos três aspectos distintos no “Logos”, a saber: a lei natural, a lei moral e a capacidade humana de reconhecer a história. Dessa maneira, o estoicismo explicava que a razão ou a capacidade humana de interpretar e conhecer a realidade, era cedida pelo “Logos” a todos os homens. Uma vez que a razão cedida pelo Logos é o que diferencia o ‘ser humano’ dos ‘animais’, que diferente do ser humano, são irracionais, logo, na perspectiva estóica, todos os seres humanos eram iguais, ou tinham direitos iguais.
    É sob esta influencia que muitos imperadores romanos, inclusive Marco Aurélio, aplicou esse conceito de “Logos” à situação política. A partir desse principio do “Logos Universal” criaram leis superiores às leis antigas, concedendo cidadania romana a todos os cidadãos das nações conquistadas que assim quisesse. Dessa forma as mulheres, as crianças e os escravos, tidos como inferior segundo a lei romana antiga, agora, sob essa nova filosofia, tornavam-se iguais perante as leis dos imperadores romanos.
    Contudo, isto não quer dizer que os cristãos tenham copiado dos estóicos tais ensinamentos. Para os estóicos, o “logos universal” é a capacidade da razão. Logo, uma vez que todos os homens tinham a capacidade de usar razão, todos deveriam ser tratados de forma igual. Entretanto, sabe-se que nem sempre foi assim. Havia aqueles casos que o homem não tinha capacidade de usar a razão devido problemas “mentais”, doenças de natureza psíquica. Os estóicos acreditava que estes, uma vez educados, poderiam alcançar o uso da razão. Sendo assim, o uso da razão por doentes de natureza psicológicas, seria apenas uma questão de educa-los. O problema é estes nunca chegavam ao uso da razão, então, ficavam excluídos.
    Há uma diferença bastante significa entre cristãos e estóicos. Qualquer filósofo sabe muito bem disso. Os estóicos, como observou o próprio Paul Tillich, não tinham a menor idéia do conceito de pecado (hamartia). A idéia de Pecado, é uma idéia nitidadamente cristã. Os estóicos Falavam em insensatez, mas não de pecado. Para os estóicos a salvação se alcançava por meio da sabedoria. No cristianismo a salvação é concedida pela graça divina.
    Por outro lado, os estóicos desconheciam completamente o conceito de ressureição apresentando pelos cristãos. O encontro do Apóstolo Paulo com alguns filósofos, dentre os quais estavam presentes Epicureus e Estóicos, no Areópago de Atenas demonstra isso muito bem. Eles desconheciam completamente a filosofia cristã -” E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele [Paulo]; e uns diziam: Que quer dizer este paroleiro?” (At. 17: 16-20).
    Por outro lado, lembremos que Jesus foi um Judeu, e como Judeu, ele foi educado dentro da tradição judaica. Uma das características dos judeus descendentes da tribo de Judá ( a tribo que Jesus descendia) era de manter-se puro evitando assim as influencias dos estrangeirismos desnecessário. Portanto, Jesus procurou evitar as influencias das escolas filosóficas gregas quando desenvolveu seu evangelho.
    Assim, ratifico que foram os primeiros cristãos, e não os estóicos, que quebraram barreiras. Diferente da maioria das religiões e dos filósofos (Aristóteles, por exemplo), os cristãos davam igualmente boas-vindas a homens e mulheres. Os gregos excluíam os escravos da maioria dos encontros sociais, enquanto os cristãos os incluíam. O templo judaico separava os adoradores por raça e gênero; cristãos os uniam ao redor da mesa do Senhor. Contrastando com a aristocracia predominantemente masculina de Roma, a igreja cristã permitia que as mulheres e os pobres tomassem posição de liderança.


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